Larry Porter e os clusters dinâmicos

A dinâmica de grupo começou com a apresentação de Svênia, a gótica do RH.

– Pois bem. Este método foi desenvolvido durante séculos de análises em empresas de RH especializadas em processo seletivo bruxo. Consiste em um cruzamento de dados numéricos relacionados ao posicionamento de cada um na sala com o modo como cada um encara seu respectivo número. A numerologia aplicada ao desenvolvimento quântico da relação espacial referente ao posicionamento nos permite dividir os postulantes à vaga em até 7 grupos aos quais nos referiremos doravante como clusters de valor. Cada um de vocês irá para um cluster de valor e será avaliado individualmente de modo que saibamos com toda a certeza como seu trabalho poderá auxiliar no desenvolvimento de nossa empresa.

Quando Svênia parou de falar, três pessoas já estavam dormindo gostoso no canto da sala.

– Aqueles três dorminhocos estão no cluster de valor número 1 e já foram eliminados. – com um gesto com a mão esquerda ela desintegrou os três e os enviou direto para uma ilha perdida no meio do Pacífico, onde eles acordariam quatro horas depois sem saber como chegaram lá.

– Beleza – pensou Larry, pragmático – três a menos.

O restante da sala foi sendo dividido nos 6 clusters restantes e, pouco a pouco, todos foram sumariamente eliminados com feitiços inebriantes de Svênia.

– Bando de incompetentes – disse ela, quando restou apenas Larry e Sherman na sala. – Vamos ver como vocês dois se saem no teste final.

Larry gelou.

Svênia pegou um lápis de cor lilás, uma maçã verde e uma rolha e ordenou:

– Usando estes três objetos, me diga por que devemos contratar você.

Larry engasgou, respirou fundo e tentou se concentrar naquela tarefa idiota. Ele sabia que era idiota, mas não podia pensar nisso pois Svênia poderia ler sua mente a qualquer momento. Então ele concentrou toda a sua vontade de achar aquilo idiota em seu dedo mindinho do pé, que não parava de tremer. Após pensar por 30 segundos, Larry começou:

– Eu… bom, sou como este lápis porque eu… bem… este lápis representa a minha vontade de aprender. Isso. Vontade de aprender. A maçã é o alimento, o que… representa… bem, representa minha vontade de sempre crescer e aprimorar o meu trabalho.

Larry estava orgulhoso de si, mesmo suando em bicas e gaguejando ainda conseguia articular um pensamento minimamente lógico. Ele continuou:

– E finalmente a rolha, a rolha é aquilo que me mantém fechado, concentrado em meu trabalho, sem me preocupar com horários e rotinas, me dedicarei 100% ao meu nobre trabalho nesta empresa. Yeah.

Ele deixou escapar o “yeah” porque precisava comemorar aquela argumentação toda de alguma forma. Seu dedinho do pé parou de tremer. Ele se virou para Sherman e pensou “sai dessa, Mr. M!” sem medo de alguém ler sua mente. Queria mais é que lessem mesmo.

Svênia se virou para Sherman:

– Muito bem. E você?

– Bem, eu quero que você enfie o lápis, a maçã e principalmente a rolha no meio da sua bunda, porque eu sou filho do cara que paga seu salário nesta merda e esse emprego já é meu.

– Ora, meus parabéns! Temos um vencedor! A vaga é sua!

larrylogo

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