Capítulo 9 – O Fator Black

O fator black tem origem na música da banda norte-americana Pearl Jam, escrita por Eddie Vedder e Stone Gossard:

“All the love gone bad, turned my world to black, tattooed all I see, all that I am, all I’ll be. I know someday you’ll have a beautiful life, I know you’ll be a star in somebody else’s sky, but why can’t it be mine?”
Todo o amor ficou mal, tornou meu mundo negro, manchou tudo que eu vejo, tudo que eu sou, tudo que serei. Eu sei que um dia você terá uma bela vida, eu sei que você será uma estrela no céu de outra pessoa, mas por que não pode ser no meu?

“Black” (Pearl Jam) – do álbum “Ten”

O creep sempre soube que não tinha chances, mas no fundo ele sempre tem uma esperança, por menor que seja, ou não estaria insistindo tanto – por favor, não pense que o creep é um indivíduo estúpido. Afinal, seria muito fácil pedestalizar a Angelina Jolie, mas quem em sã consciência acharia que tem alguma chance na concorrência com o Brad Pitt? Ou vice-versa, no caso de você ser mulher.

Mas eis que o mundo cruel resolve lhe mostrar que suas chances são menores do que ele imagina. Isso pode acontecer de diversas formas: desde uma pequena indireta até um fora completo, daqueles em que o pedestal afirma: “nem que você fosse a última pessoa da face da Terra!”. Entre um e outro extremo, temos vários outros tipos de black: o creep vê o pedestal acompanhado de outra pessoa, ou o creep descobre que o seu pedestal também é creep, e pedestaliza outro alguém, formando o que podemos chamar de uma “cadeia pedestáltica”.

A intensidade do black é proporcional à altura do pedestal. Nós só notamos a potência do nosso pedestaltismo quando nos deparamos com um fator black.

Seja qual for o black, seguindo os versos da música, o amor se torna algo maléfico, transforma seu mundo em algo negro, marca toda a sua vida. Apesar de derrotado e humilhado, o creep ainda mantem seu respeito e sua idolatria pelo pedestal. Ele quer que o pedestal tenha uma bela vida, mesmo que seja como uma estrela no céu de outra pessoa.

Indignado, pergunta ao pedestal, a Deus ou a quem quer que seja, por que não pode ser no seu próprio céu. Por que o Universo não pode conspirar a seu favor, pelo menos uma vez? Por que o maldito cupido não acertou a flecha também no seu pedestal? Por que sempre tem que chover nele? Por quê?

O black revela ao creep que ele jamais vai ultrapassar aquele limite entre a amizade e o amor correspondido. O pedestal é capaz de deixar o creep se aproximar, entrar em sua casa, abrir a geladeira, brincar com o cachorro, mas jamais deixará que ele invada o seu “jardim secreto”, descrito na música de Bruce Springsteen:

“She’ll let you in her house if you come knockin’ late at night, she’ll let you in her mouth if the words you say are right. If you pay the price, she’ll let you deep inside, but there’s a secret garden she hides.(…) She’ll look at you and smile and her eyes will say she’s got a secret garden, where everything you want, where everything you need will always stay a million miles away.”
Ela vai deixar você entrar em sua casa se você bater tarde da noite, ela vai deixar você entrar em sua boca se você disser as palavras certas. Se você pagar o preço, ela vai deixar você ir fundo, mas há um jardim secreto que ela esconde. (…) Ela vai olhar para você e sorrir e seus olhos irão dizer que ela tem um jardim secreto onde tudo que você quer, onde tudo que você precisa estará sempre a milhas de distância.

“Secret Garden” (Bruce Springsteen) – do álbum “Greatest Hits”

O “jardim secreto” resume tudo o que o creep mais deseja na vida. Tudo que ele quer e precisa é aquilo que o pedestal jamais lhe dará.

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