Capítulo 3 – O Comportamento Creep

Para ilustrar o pensamento creep, vamos recorrer a uma música da banda escocesa Travis, onde o compositor Fran Healy demonstra toda a insatisfação do creep perante sua vida fracassada:

“Why does it always rain on me? Even when the sun is shining, I can’t avoid the lightning, oh where do the blue skies go? Why is it raining so cold?”
Por que sempre chove em mim? Mesmo quando o sol está brilhando, eu não posso evitar o raio, para onde foram os céus azuis? Por que está chovendo tão frio?

“Why Does It Always Rain On Me?” (Travis) – do álbum “The Man Who”

O fator pedestáltico é mais um item na imensa galeria de problemas de um creep. Mas é talvez o problema mais palpável, aquele que faz com que ele realmente perceba a sua condição de creep, e faz com que ele se pergunte por que sempre chove nele. Realmente, está sempre chovendo sobre o creep. Esta chuva simbólica é a sina que acompanha o creep por toda a sua vida.

“Everyday I wake up alone because I’m not like all the other boys.”
Todo dia eu acordo sozinho porque eu não sou como todos os outros rapazes.

“As You Are” (Travis) – do álbum “The Man Who”

Esta canção traz a marca da solidão, a característica mais marcante do creep. Mesmo que seja algo inconsciente, mesmo que ele tenha muitos amigos, ele se sente sozinho no mundo. Não é de se estranhar, portanto, que os creeps se sintam confortáveis apenas quando estão na companhia de outros amigos também creeps. Assim, eles são facilmente encontrados em bandos, discutindo seus problemas pedestálticos, suas frustrações e lamentando suas vidas, comumente acompanhados de bebida ou músicas melancólicas ou qualquer outra coisa que possa ajudá-los.

O creep normalmente peca por pensar demais. Veja este trecho da música do Oasis, escrita por Noel Gallagher:

“When you’re lonely and you start to hear the little voices in your head at night (…) in your head, do you feel what you’re not supposed to feel (…)”
Quando você está sozinho e começa a ouvir as pequenas vozes em sua cabeça à noite (…) em sua cabeça, você sente o que não deveria sentir (…)

“Sunday Morning Call” (Oasis) – do álbum “Standing on the Shoulder of Giants”

Pensando demais, raciocinando demais, analisando prós e contras e todas as alternativas sobre o que poderia ter acontecido, o creep pensa em reações, escreve diálogos que nunca sairão de sua cabeça, ou escreve teorias como esta que você está lendo.

A auto-piedade é outra característica importante. Cansado de perder o tempo todo, o creep acaba por ter pena de si próprio, já que ninguém mais parece disposto a fazê-lo. E mesmo que sua vida esteja boa, no sentido de que ele tem saúde, amigos, um emprego, uma família, onde morar e o que comer, mesmo assim não consegue se sentir feliz, ou pelo menos se considerar feliz, porque todo creep sofre da síndrome de elevation. Mas antes de aprendermos sobre esta síndrome, veja um exemplo da revolta de um creep em uma música escrita por Rivers Cuomo, do Weezer:

“I shouldn’t complain, I should have no feeling, cuz feeling is pain. As everything I need is denied me and everything I want is taken away from me. But who do I got to blame? Nobody but me.”
Eu não deveria reclamar. Eu não deveria ter sentimentos, pois sentimento é dor. Como tudo que eu preciso é negado a mim e tudo que eu quero é tirado de mim. Mas quem eu devo culpar? Ninguém além de mim.

“The Good Life” (Weezer) – do álbum “Pinkerton”

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