Capítulo 2 – A Pessoa que Idolatra

O pedestaltismo é um processo inerente a todo ser humano, mas que se manifesta com maior freqüência em determinados indivíduos a quem chamaremos de creep. O termo vem da música homônima da banda inglesa Radiohead – escrita por Thom Yorke – que deu origem a esta teoria e que, com muita justiça, foi eleita o seu hino. Vejamos:

“When you were here before, I couldn’t look you in the eye (…) I wish I was special, you’re so fucking special, but I’m a creep, I’m a weirdo, what the hell am I doing here? I don’t belong here (…) I want a perfect body, I want a perfect soul, I want you to notice when I’m not around (…)”
Quando você esteve por aqui, eu não conseguia olhar nos seus olhos (…) Eu queria ser especial, você é tão especial, mas eu sou um creep (sem tradução), sou um estranho, o que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar (…) Eu quero um corpo perfeito, eu quero uma alma perfeita, eu quero que você perceba quando eu não estiver por perto (…).

“Creep” (Radiohead) – do álbum “Pablo Honey”

Eis a definição perfeita do comportamento psíquico do indivíduo creep que sofre do mal pedestáltico. Ele não é especial, ele quer ser especial, ele quer um corpo perfeito, ele quer uma mente perfeita, ele quer ter sua ausência notada. Mas aos seus olhos ele não é nada disso, e julga que a pessoa que ocupa o lugar sobre o pedestal o é. Ele é um nada, apenas um sujeito estranho, que não pertence àquele lugar, que na verdade sente que não pertence a lugar algum e se sente um elemento estranho no mundo, e que em momento algum chegaria até o topo do pedestal, alcançando o nível da pessoa idolatrada. A banda britânica Coldplay descreve o desprezo através das palavras do vocalista Chris Martin:

“So I look in your direction, but you pay me no attention, and you know how much I need you, but you never even seen me.”
Então eu olho na sua direção, mas você não me dá atenção, e você sabe o quanto eu preciso de você, mas você nunca sequer me viu.

“Shiver” (Coldplay) – do álbum “Parachutes”

O creep acredita que não merece nem participar da vida da pessoa do pedestal. Esta teria outras ambições que vão muito além da humilde existência do creep. Ele não é capaz sequer de olhar nos olhos da pessoa idolatrada. Ele apresenta uma combinação de timidez e baixa auto-estima embalados por um histórico de rejeição que pode o acompanhar desde a infância. Por esse motivo, o comportamento creep não se restringe apenas ao âmbito pedestáltico. É uma filosofia de vida. Um estado de espírito.

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