Stereophonics no Citybank Hall, 18/11/10

Um dos últimos remanescentes do britpop se apresentou ontem para um seleto público em São Paulo. Foi a primeira vez da banda no Brasil e seu único show por aqui. E por seleto, leia-se um dos públicos mais coxinhas que já vi em um show de rock. Grande concentração de roqueirinhas de shopping e de bombadinhos com polo numerada.

Tão coxinha que só fui sentir cheiro de maconha quando o show já tinha passado da metade, na poderosa “Vegas Two Times”. Porque show de rock com cheiro de perfume importado não é show de rock. De qualquer forma, ver show ao lado do seleto público coxinha de Moema é milhões de vezes melhor do que aturar a corja de baladeiros bêbados que tem invadido os shows de estádio nos últimos anos. Pelo menos todos que estavam ali curtiam a banda – fato raro hoje em dia.

O Stereophonics tem seu público na Europa, mas nunca conseguiu estourar nos EUA e nem por aqui. Chamar suas músicas mais conhecidas de “hits” é meio que forçar a barra, mas nada disso reduz a competência da banda, a força das suas músicas mais pesadas, a ternura das baladinhas cheias de belas melodias e, principalmente, o poder quase sobrenatural da voz rouca de Kelly Jones, o legítimo sucessor do Rod Stewart. O rapazinho com nome de mina foi abençoado pelos deuses com uma voz capaz de fazer o mais másculo macho alfa cogitar uma troca de time.

O resto da banda pouco importa, parece que nem eram todos membros originais – o baterista é argentino, inclusive. Javier Weyler é o nome da fera. No baixo, Richard Jones (que não é parente do vocalista), na guitarra Adam Zindani e apoiando nos teclados estava Tony Kirkham. Todos bacanas e competentes, mas meros coadjuvantes de Kelly Jones, de sua guitarra e de sua voz (eu insisto).

A banda abriu o espetáculo às 22h com “The Bartender and the Thief” e por quase duas horas desfilou seu bom repertório que começou a ser formado nos anos 90 e teve seu último lançamento no ano passado, “Keep Calm and Carry On”. Não posso reclamar, tudo que eu queria ouvir foi tocado. Incluindo as preferidas da vida: o hino “Mr. Writer” e a feel good song “Have a Nice Day”. Sem muito papo, Kelly Jones erguia o braço de vez em quando pra pedir palminhas e foi sempre bem atendido.

Grandes surpresas vieram com o poder de “It Means Nothing” e “Maybe Tomorrow” ao vivo e o encerramento com as ótimas “Just Looking” e “Local Boy In The Photograph”. O bis trouxe mais quatro músicas, concluindo com a aguardada “Dakota”, talvez o maior sucesso da banda até hoje.

Um belo espetáculo, um grande revival do combalido britpop, um ótimo esquenta pro Paul McCartney e um show de vocal que infelizmente não é comum no rock – vem aí o Billy Corgan que não me deixa mentir.

4 comentários em “Stereophonics no Citybank Hall, 18/11/10

  1. Concordo com o púbico coxinha, mas se parar para pensar aqui no Brasil eles são uma banda alternativa. Enfim, foi quase um pocket show, único e para poucos. E eles são muito melhores ao vivo.

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