Teenage Fanclub na The Week, 11/5/11

Indie que é indie não apenas vai ao show do Teenage Fanclub, mas participa de promoção no blog do Lúcio Ribeiro pra ganhar ingresso. Foi assim que desbanquei uma legião de indies apaixonados e, driblando toda a choradeira de quem não conseguiu ingresso, reuni queridos amigos indies nessa grande balada armada para a banda escocesa em São Paulo.

Voltando ao Brasil 7 anos depois daquela passagem pelos SESCs e festivais curitibanos da vida, o Teenage foi a atração principal do Whisky Festival, que não é exatamente um festival de música, mas sim uma grande festa de homenagem à Escócia. Por isso o local de balada escolhido (o The Week, na Lapa), o preço justo (R$50 + R$10 de conveniência), as doses gratuitas de black label com chocolate e água à vontade. Quem dera todo show fosse assim.

Com esse caráter de balada com show no meio, não houve muita preocupação com a divulgação do espetáculo e os fãs tiveram que ficar atentos para a venda de ingressos, dividida em dois lotes nas últimas semanas. Por isso a choradeira de muita gente que ficou de fora. Outro problema foi o horário. O ingresso marcava 22h, mas esse foi o horário em que a The Week abriu suas portas. Show mesmo, só 12h30. Numa quarta-feira. E nós, indies velhos que temos que trabalhar no dia seguinte, como ficamos?

Não que alguém ali tenha reclamado de sono quando o Teenage Fanclub começou a desfilar seu repertório de hinos do power pop indie que encantaram o mundo alternativo na década de 90 e ainda consegue render coisas sublimes como “Shadows”, lançado em 2010. Dele vieram “Sometimes I don’t need to believe in anything”, “The Past”, “Baby Lee” e “When I Still Have Thee”.

Clássicos como “Star Sign” e “The Concept” levantaram o povão, a favorita do Nick Hornby “Your love is the place where I come from” emocionou a todos e, já no bis, enfim pude ouvir a minha favorita “Neil Jung”, que não rolou no show do SESC Pompeia que vi em 2004. O encerramento veio retumbante com “Discolite” e “Everything Flows”. E ainda teve “About You”, “I Need Direction”, “Mellow Doubt”, “Sparky’s Dream”… enfim, um setlist perfeito.

Na plateia, entre jovenzinhos alucinados, um pessoal bacana com mais de 30 sendo feliz e tendo flashbacks de uma época nem tão distante assim, com camisetas surradas do Bandwagonesque, ou de Pixies, Jesus and Mary Chain, Weezer. Quando o tempo passa, pouco importa a afetação hipster diante de uma guitarra distorcida arranhando uma melodia bonita. Modinhas passam, música boa dura pra sempre.

Guardadas as devidas diferenças, o Teenage Fanclub provocou a mesma epifania que tive no show do Guns no ano passado: uma sensação boa de fazer as pazes com o próprio passado, um certo orgulho das escolhas feitas na vida desde então. Não é questão de nostalgia, é só uma questão de amadurecimento.

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