Pearl Jam no Morumbi, 4/11/11

Aprendi uma coisa nos meus anos de shows: seja qual for a banda e a importância dela para a sua vida, a magia de vê-la ao vivo pela primeira vez nunca mais vai se repetir, por melhor que ela seja. Assim, o show de ontem de Pearl Jam não foi, para mim, tão impactante quando os primeiros shows de 2005 – há 6 anos, e não 5 como disse o Eddie Vedder se enganando com as datas.

O que não quer dizer que o show de ontem não tenha sido praticamente perfeito. É que a magia, agora, deu lugar a uma reconfortante reunião familiar.

Mantendo o padrão da banda de não repetir o repertório, em sua segunda noite em São Paulo a banda mais bonita de Seattle surpreendeu e tocou mais músicas do que na noite anterior – foram 30 em pouco mais de 2h de show. Vedder disse que era um presente para o maior público da turnê, aproximadamente 68 mil pessoas. Pra variar, quem não foi em um dos dias sempre vai ter motivo para lamentar. Eu, por exemplo, queria muito ter visto “Come Back” e “Rearviewmirror”, mas seria mimimi demais reclamar de uma noite encerrada com uma sensacional cover do The Who (“Baba O’Riley”) e “Yellow Ledbetter” já com as luzes do estádio acesas.

O repertório equilibrado passeou pelos 20 anos da banda, com destaque para o primeiro disco (“Ten”) e o último (“Backspacer”), ambos com 6 músicas tocadas. Aproveito a oportunidade para retificar as bobagens que eu disse sobre o último disco: ele é muito bom e as músicas funcionam muito bem ao vivo – “Got Some”, “The Fixer”, “Gonna See My Friend”, “Amongst the Waves” e principalmente “Unthought Known” são boas demais, enquanto a balada “Just Breathe” já pode entrar com louvor para a categoria derramadora de lágrimas junto com os hinos “Black” e “Better Man”.

O momento fofura da noite, mais do que todas as tentativas de Eddie Vedder em falar português, foi o relato de sua adolescência, quando falsificou um RG pra entrar no bar onde se apresentava a banda punk californiana X, que abriu o show. O pequeno Eddie ficou na beirada do palco segurando a cerveja pra vocalista a noite toda. Para contrastar com tamanha ternura, tivemos muitos momentos de bater cabeça em “State of Love and Trust”, “Not For You” e “Spin the Black Circle”, com Jeff, Mike e Stone (permita-me a intimidade) rodopiando pelo palco.

Boas surpresas foram “Setting Forth”, da trilha solo de Vedder pra “Na Natureza Selvagem”, e “Inside Job” com a introdução do vocalista dizendo que a música foi criada por ele e por Mike McCready em São Paulo em 2005. Surpresas menos interessantes foram a nova “Olé” e a inclusão de “Last Kiss” – apesar de ser bonito ver o estádio inteiro cantando “oh where oh where can my baby be”. Entre as presenças obrigatórias, sucessos como “Do the Evolution”, “Even Flow”, “Jeremy” e, já no segundo bis, o hino “Alive”, a “Livin’ on a Prayer” do Pearl Jam.

Embora na sexta a gente não tenha ouvido a cover de “I Believe in Miracles” dos Ramones, devo registrar dois milagres vivenciados durante a noite: primeiro, as amigas atrasadas que conseguiram nos encontrar entre 68 mil pessoas minutos antes do show começar; segundo, o primo corintiano que perdeu a carteira durante o espetáculo e contou com a boa índole de um casal bacana que a achou e a devolveu ao encontrá-lo desesperado vasculhando o chão do Morumbi. O acontecimento rendeu a piada óbvia: no Itaquerão isso jamais aconteceria.

O Pearl Jam agora segue em frente com a turnê brasileira, levando aquela velha eficiência sem frescura no palco, aquela simpatia cheia de humildade de seus integrantes, as reverências aos clássicos (Ramones, Neil Young, The Who) e a voz de Eddie Vedder que insiste em resistir à passagem do tempo. Legal que eles tenham vindo comemorar o aniversário com a gente.

Um comentário em “Pearl Jam no Morumbi, 4/11/11

  1. 04/11/11 levará milênios para sair da minha memória!Nervoso na entrada: minha sobrinha que foi comigo esqueceu a carteira de estudante, quase não entra! O namorado chegou depois e resolveram,entrei primeiro que eles, minha cia. foi a pista do Morumbi lotada. A simplicidade do Eddie(ele deixa me referir assim…rsrs), desculpando-se pelo português sofrível (pra mim, indiferente: inglês/português)o beijo em nossa bandeira, as fotos tiradas por ele. Preciso de bis URGENTE! Aceito o mesmo calor infernal, horas de fila, ser triturada na grade, cotoveladas e perder a voz por uns 2 dias.Shirley Sena – SP

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