11 Coisas Que Você Precisa Saber Sobre o Show do Bruce Springsteen

This ain’t just the best gig I’ve ever seen in my life, it’s much more than that. It’s like watching you’re entire life flashing by and instead of dying, you’re dancing.

(Tony Parsons, NME, 1978)

O país da Copa passou a fazer parte da rota de shows internacionais, porém não investiu na educação. Feito um novo rico que só gasta dinheiro com Romero Britto, o povo brasileiro comprou seu SUV mas não desenvolveu a arte do bom gosto.

Isso explica por que o acanhado show do BOSS em São Paulo para 8 mil testemunhas ainda tem ingressos à venda. E por que tem gente que vai ao Rock in Rio no dia 21/9 pra ver o John Mayer.

Faltando menos de um mês para o melhor show da Terra chegar ao Brasil, é preciso difundir algumas regras básicas para orientar o nosso público leigo, de forma que não sujemos ainda mais a imagem do país lá fora. Trata-se de um dever moral e cívico.

O resto do mundo já sabe que uma apresentação do Bruce Springsteen com a E Street Band não é somente um show: é um evento imperdível, uma experiência de vida, uma epifania coletiva. Há uma mitologia envolvida, uma lenda, uma tradição. Ciente dessa deficiência no nosso país, deixo aqui a minha humilde contribuição.

1. Bruce não é vaia

É comum Bruce ser recepcionado pela plateia com um coro de “bruuuuuuce”, que parece uma vaia mas não é. Fique atento a este fato, pois é provável que nossos portais de notícia deem a manchete no dia seguinte: “Bruce Springsteen é recebido com vaias em São Paulo”.

2. Because The Night não é cover

Vai ter gente achando que o BOSS está tocando uma cover da Patti Smith ou, pior, do 10.000 Maniacs. Vale a pena assistir ao documentário “The Promise – The Making of Darkness on the Edge of Town” pra ver Patti Smith se derretendo de gratidão por Bruce ter lhe dado o maior sucesso da carreira.

3. Born In The USA não é ufanista

Maior erro cometido ao sul do Equador é achar que “Born in the USA” é uma grande homenagem à América e à Era Reagan. Fato que teria sido evitado se alguém tivesse se dado ao trabalho de conferir a letra. O BOSS é um sujeito patriota sim, mas não é burro.

4. Quem precisa de um abraço?

Não se sinta constrangido caso um desconhecido te dê um abraço no meio do espetáculo. O show do BOSS tem uma atmosfera familiar, religiosa e de reunião escolar, então as pessoas se emocionam mesmo. Abrace desconhecidos, faça amizades e não tenha vergonha de chorar.

5. Criança Esperança

A devoção ao BOSS é como a torcida por um time de futebol que passa de geração para geração. Assim, crianças são comuns nos shows e têm seus momentos especiais. Se você tem um filho pequeno, posicione-se perto do palco e faça ele decorar os refrões de “Hungry Heart” e “Waitin’ on a Sunny Day”. Seu filho vai te agradecer depois.

6. Garotas dançando no escuro

No clipe antológico de “Dancing in the Dark” dirigido pelo De Palma, Courteney Cox deu início a uma longa tradição de garotas que sobem ao palco para dançar com o BOSS. Pode acontecer no Brasil e você pode ser a Katilce da vez. Treine seus passinhos em casa.

7. Leve seu cartaz

A E Street Band é a maior jukebox do mundo e gosta de ser desafiada. Reutilize seu cartaz usado nas recentes manifestações pelo país e peça clássicos pop, rock e soul, ou lados-B e músicas do início da carreira da banda. Não vá gastar seu pedido com músicas óbvias como “Born To Run”, prefira as pérolas. Em São Paulo, onde a banda vai tocar para o seu menor público em séculos, o pessoal da pista VIP tem obrigação de caprichar nos pedidos. O resto do mundo daria o testículo direito para estar numa posição privilegiada como esta.

8. Punho pro alto

Não existe nenhum outro show no mundo que exija tanto um punho cerrado pro alto. São muitos os versos poderosos de redenção que pedem o gesto. Além, é claro, do “uoô” em “Born To Run”.

9. Se joga na balada!

O BOSS há de fazer um stage diving sobre nossas cabeças e roubar uma ou duas de nossas cervejas também.

10. It’s Boss Time

Um show normal da E Street Band chega nas 3 horas de duração com facilidade. Dependendo da nossa reação por aqui, podemos tentar bater o recorde de Helsinki, 2012, quando atingiram a épica marca de 4h06. Use sapatos confortáveis.

11. Legendários

A E Street Band é muito mais que uma banda de rock e soul. Cada músico ali é praticamente um super-herói. Receba-os como você receberia os jogadores do seu time entrando em campo na final de um campeonato. Saiba por exemplo que Patti Scialfa é a mulher do BOSS, que Jake Clemons (Little Big Man) é o sobrinho do falecido Clarence Clemons (o Big Man), que Little Steven era o braço direito do Tony Soprano, e prepare-se para a melhor apresentação de banda que você já viu: The houserocking, pants dropping, brain-shocking, earthquaking, booty-shaking, Viagra-taking, lovemaking, sexifying, electrifying, women shrieking, grown men crying, legendary… E… Street… Band!

7 comentários em “11 Coisas Que Você Precisa Saber Sobre o Show do Bruce Springsteen

  1. adorei de cara o primeiro verso PATADA NA CARA: O país da Copa passou a fazer parte da rota de shows internacionais, porém não investiu na educação. Feito um novo rico que só gasta dinheiro com Romero Britto, o povo brasileiro comprou seu SUV mas não desenvolveu a arte do bom gosto.

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