Breaking Bad – Quinta Temporada, Parte II

Cuidado, spoilers à vontade abaixo.

Os oito episódios finais de “Breaking Bad” que completaram a segunda parte da quinta temporada foram uma via-crúcis tanto para personagens quanto para o público. Do lado de lá da tela, acompanhamos a reviravolta final da trama, quando Hank (Dean Norris) enfim liga os pontos e descobre que seu cunhado é o vilão Heisenberg. As consequências são uma tragédia anunciada. Não tinha como ser de outra forma.

Do lado de cá, vimos a legião de fãs da série se multiplicar com toda a badalação ao seu redor. Enfim “Breaking Bad” ganhou o reconhecimento do grande público fã de “Lost”, o que é ótimo, não podemos deixar a Globo determinar que “Revenge” é a maior série do momento. E “Breaking Bad” bateu tão forte que um dos responsáveis pelo final de “Lost” até teve que vir a público se justificar.

Com tanta gente acompanhando e comentando, manter-se livre de spoilers tornou-se uma tarefa quase impossível. O próprio Dean Norris bateu algum recorde de falta de noção ao soltar spoiler no Twitter. Segundo ele, 48 horas é o prazo para o mundo inteiro ver o episódio da semana, demonstrando uma certa ignorância com relação aos inúmeros novos meios de se ver TV fora da América. Vamos chamá-la de Lei de Hank.

Menos de uma semana após a exibição do último episódio, uma notícia sobre um certo obituário publicado no jornal de Albuquerque foi amplamente divulgada e deixou claro que a Lei de Hank deve ser levada a sério, mesmo que você não concorde com ela.

Mas quem vive e quem morre é o menos importante aqui. Spoiler nenhum seria capaz de estragar a maravilhosa cena do último capítulo em que Walter White (Bryan Cranston), enfim, confessa sua verdadeira motivação para Skyler (Anna Gunn). Não era pela família, não era pelos 20 centavos. “Eu fiz tudo por mim mesmo”, ele diz, para se sentir vivo. E o resto é história, é um fechamento perfeito de todas as pontas que ainda permaneciam abertas, é Walter voltando do inferno para sua redenção final, mesmo que seus pecados já não possam mais ser perdoados.

O final da trajetória do pacato professor de química a poderoso chefão das drogas reduziu a velocidade e aumentou a intensidade. Cada diálogo parecia conter um mundo inteiro de culpa, dor, castigo. Não teve nenhum momento de alívio e mesmo as gracinhas do advogado Saul Goodman (Bob Odenkirk) soavam fora de hora, como alguém contando uma piada em um velório. A depressão e a raiva incontrolável de Jesse Pinkman (Aaron Paul) e a destruição definitiva do núcleo familiar dos White foram mais importantes que os negócios e que a gangue de nazistas do tio de Todd (Jesse Plemons, o Matt Damon genérico), vilões muito inferiores aos Gus Fring (Giancarlo Esposito) e Salamancas de temporadas anteriores.

Vince Gilligan, vivendo agora no olimpo dos autores, conviveu com os erros de “Arquivo X” e aprendeu que uma série deveria, sempre, terminar no auge. “Breaking Bad” não teve um segundo sequer de desperdício em suas cinco temporadas que já entraram para a história. Enquanto escrevo isso, o antepenúltimo episódio “Ozymandias” continua com média 10 no IMDb e “Baby Blue” do Badfinger já é considerada a nova “Don’t Stop Believin'”.

Você ainda pode gastar seu tempo analisando todas as teorias criadas sobre a série, mas o final não deixou espaço para dúvidas, questionamentos metafísicos ou semióticos. It’s just science, bitch. Foi uma excelente aula, Mister White.

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