Frozen – Uma Aventura Congelante

A Disney conhece bem o potencial de suas princesas. Nos últimos anos, andou resgatando heroínas de diversas épocas diferentes, unindo todas em um mesmo pacote numa espécie de Vingadores para garotinhas, e lançando uma infinidade de produtos com elas. O filme “Encantada” (2007) e o desenho “Enrolados” (2010) capricharam nas referências aos ícones do gênero para manter a chama acesa, mas como quem vive de passado é museu, uma hora eles teriam que investir em novas princesas. E lá das categorias de base do Império Disney veio “Frozen”, baseado em “A Rainha da Neve” de Hans Christian Andersen, com nada menos do que duas novas princesas: as irmãs Anna (voz de Kristen Bell) e Elsa (voz de Idina Menzel).

Muito unidas na infância, elas crescem separadas porque Elsa tem uma maldição: ela é uma mutante com os mesmos poderes do Homem de Gelo, não consegue lidar com eles e se sente uma ameaça a todos ao seu redor. Quando enfim é coroada e tem seu poder revelado, ela sem querer amaldiçoa Winterfell com o inverno eterno e foge para as montanhas onde pretende viver isolada na Fortaleza da Solidão. Os nomes foram trocados, mas você entendeu. Caberá a Anna ir atrás da irmã com a ajuda do picador de gelo Kristoff (voz de Jonathan Groff), sua rena Sven e um boneco de neve engraçadinho, Olaf (voz de Josh Gad).

Neste conto de fadas onde as fadas são pequenos trolls que se disfarçam de pedra e não há um grande vilão identificável, Olaf, o boneco de neve que sonha com o verão, é o único coadjuvante digno de nota. Sven é um daqueles inevitáveis bichos que agem como cachorro – veja “Como Treinar Seu Dragão” para resultados mais interessantes – e os candidatos a príncipe não têm carisma nenhum. “Frozen” não quer ser fofo, porque seu foco é no girl power. O romance é menos importante que a reunião familiar e a lição de moral (“é mais fácil curar a cabeça do que o coração”) não está necessariamente se referindo ao amor romântico entre um homem e uma mulher. O beijo apaixonado do príncipe encantado já não vale mais nada. Essa ruptura com o padrão “casaram-se e viveram felizes para sempre” é a maior contribuição de “Frozen” à mitologia Disney. O perfil das princesas mudou.

A animação não traz grandes avanços, a história em si só é capaz de emocionar quem tem menos de 10 anos e até o fato da canção “Let It Go” ter vencido o Oscar parece ser parte de alguma estratégia de resgate das princesas Disney no cinema, mas mesmo assim “Frozen” se tornou a quinta maior bilheteria da história, a maior entre as animações. Será o conteúdo feminista implícito? Será saudades dos musicais animados, um gênero em baixa desde que a Pixar dominou as paradas de sucesso? Será carência de brinquedo para meninas com tanto brinquedo de menino em cartaz? Não sei dizer, mas uma coisa é certa: os tempos estão mudando e a indústria dos casamentos de contos de fadas pode começar a se preocupar.

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