Os Mercenários 3

Todo ano par é ano de Mercenários no cinema. Mais que uma franquia, uma tradição. Só que agora não dá mais. Nós ficamos emocionados no primeiro, demos gostosas risadas no segundo, mas o terceiro não vai além de um Mel Gibson lutando na poça d’água como nos tempos de “Máquina Mortífera” e de um Harrison Ford pilotando um helicóptero como se fosse a Millenium Falcon.

Stallone tem todos os méritos por conseguir reunir esse povo todo no mesmo pôster, mas não custava nada matar uns dois ou três personagens a cada filme pra liberar espaço. Como ele só mata o vilão da vez, a galera vai se acumulando e tendo cada vez menos tempo em cena. Pra piorar, nesta terceira parte Barney Ross (Stallone) resolve dispensar a formação clássica do time e montar uma nova geração, dedicando grande parte do filme a uma turma desconhecida que você quer mais é que se exploda na primeira missão. Dane-se o hacker de “Missão: Impossível”. Dane-se a mocinha gata. Cadê o Jet Li chutando bundas, cacete?

Das novidades, apenas Wesley Snipes diz a que veio, ganhando grande destaque no prólogo e sumindo miseravelmente no resto do filme. Antonio Banderas aparece insuportável como um mercenário falastrão, o alívio cômico irritante, o Roberto Benigni dos filmes de ação. Mel Gibson é o ex-mercenário vilão sem muita personalidade e Harrison Ford, que substitui Bruce Willis no cargo de contratante, é vítima da falta de respeito do diretor naquele plano da nuca que revela o quão velhinho está o nosso herói. Não precisava.

A saber: Bruce Willis pediu demais pra renovar o contrato, foi eliminado da brincadeira e seu personagem é devidamente esculhambado quando mencionado. Sorte dele, seria apenas mais uma cara famosa dizendo duas ou três frases aleatórias, como o parça Schwarzenegger.

Com trocentos atores de renome se tornando figurantes enquanto as novas caras demonstram total falta de carisma, o mais legal da “Saga Mercenários” continua sendo a relação entre Barney e Christmas (Jason Statham), mesmo que dessa vez Statham nem tenha muito o que fazer na trama. Pode matar todo o resto na parte 4, Sly. Deixa esse povo descansar.

“Os Mercenários 3” tem muita explosão e muito tiro, mas quase não há sangue dessa vez. Aqueles corpos explodindo nos filmes anteriores sumiram. Esse Mercenários censura livre não serve nem como diversão descompromissada. Afinal, que baita desperdício um filme-zoeira que escala o Harrison Ford e não o faz apontar o dedo na cara de ninguém. O recém-finado Menahem Golan deve estar se revirando na tumba.

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