Guardiões da Galáxia

Eu nunca tinha ouvido falar nos Guardiões da Galáxia até poucos meses atrás. O trailer vendia um filme diferente da Marvel com música pop, contexto de Star Wars, um guaxinim com metralhadoras e uma árvore que luta. Não poderia ser sério. E não é. Os filmes da Marvel nunca tiveram o tom sóbrio dos últimos lançamentos da DC, mas também nunca tinham ido tão longe na esculhambação. “Guardiões da Galáxia” é o mais próximo que o cinema de super-heróis chegou da anarquia dos desenhos animados – não por acaso, seu diretor tem no currículo os roteiros de dois filmes do Scooby-Doo.

O garotinho Peter Quill é abduzido logo após sua mãe falecer, em um prólogo que é só o primeiro dos vários momentos apelativos do filme. Quer dizer, se fosse um filme do Spielberg todo mundo cairia matando, mas há um certo pacto não-declarado de tolerância quando o filme é da Marvel. Mais adiante veremos sacrifícios grandiosos em nome do amor, intensas demonstrações de amizade e companheirismo e, se você não se afeiçoou ao personagem órfão que insiste em ser chamado de Star Lord (agora interpretado por Chris Pratt), deverá chegar lá quando ele começar a ouvir a fita K7 que é seu único souvenir da Terra. Sim, a moda da mixtape está de volta em grande estilo, prepare seu walkman.

Assim, podemos dizer que o mercenário Star Lord é uma espécie de Han Solo criado pelo Nick Hornby. Ou aquele Han Solo fanfarrão da paródia “S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço”, o Lone Starr. Vão se unir a ele uma moça “Avatar” só que verde (Zoe Saldana), um Sargento Pincel marombado (Dave Bautista), um guaxinim (voz de Bradley Cooper) e o Barbárvore (voz de Vin Diesel), formando o mais improvável grupo de heróis sem superpoderes da galáxia. Do outro lado, vilões que falam grosso. Entre todos eles, um verdadeiro festival de cosplay. Tudo girando em torno de um artefato mágico que não pode cair em mãos erradas, a sinopse mais manjada de todos os tempos.

Agora que eu já sei quem são os Guardiões da Galáxia, outra questão me atormenta: por que, afinal, esse filme fez tanto sucesso? Estamos tão entorpecidos pelas cores do universo Marvel a ponto de considerar genial um filme mediano de ação no espaço? Somos facilmente encantados por uma arvorezinha dançante? Temos tanta saudade assim dos anos 80? É tudo uma questão de tocar a música certa? Depois de “Guardiões”, eu tenho a impressão de que a Marvel pode fazer o que quiser no cinema. Estamos condicionados a gostar de qualquer coisa que eles joguem na tela. Espero que a gente acorde desse feitiço logo.

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