Wet Hot American Summer – First Day of Camp – Primeira Temporada

“Mais um Verão Americano” é uma comédia idiota de 2001 que não fez muito barulho no lançamento mas se tornou cult com o passar do tempo, principalmente graças ao elenco que aos poucos foi se tornando estelar: Paul Rudd, Bradley Cooper, Amy Poehler, Elizabeth Banks, Janeane Garofalo. E também porque, apesar de completamente idiota, o filme era incrível. Uma paródia aos filmes de acampamento de verão dos anos 80, essa verdadeira instituição americana, com atores visivelmente mais velhos interpretando adolescentes bobalhões com peruas ridículas e figurinos apertados na pança. Uma linda e cretina homenagem àquela década cafona, coisa que tanta gente andou tentando fazer sem sucesso nos últimos anos. Uma espécie de Chaves da Sessão da Tarde.

O culto ao filme fez com que surgisse algo ainda mais absurdo: uma série prequel de 8 episódios na Netflix, mostrando o primeiro dia daquele verão que acabou no filme. Com os mesmos atores, agora astros e estrelas ainda mais velhos do que em 2001, o que torna tudo ainda mais engraçado. E com mais uma porção de novos astros e estrelas que toparam a empreitada só porque são muito fãs do filme original: Michael Cera, Jason Schwartzman, Josh Charles, Chris Pine, Kristen Wiig e pelo menos três figuras muito conhecidas do elenco principal de “Mad Men”.

A galeria de personagens criada por Michael Showalter e David Wain é riquíssima e cresce demais na série. O perdedor, o rebelde, a gostosa, o garanhão, o romântico, cada um estereotipado até o talo porque tudo é bem exagerado mesmo. A série consegue a proeza de melhorar o filme, explicando coisas que você nem sabia que queria saber, como a origem da lata de legumes falante. A picaretagem é tão grande que no último episódio da temporada eles tentam explicar porque, no último dia do acampamento, os personagens pareceriam estar 15 anos mais novos.

Em “Wet Hot American Summer”, o humor vem da necessidade de se levar as maiores imbecilidades a sério: os dramas adolescentes, aquele teatrinho que eles encaram como um espetáculo da Broadway, a transmissão de rádio na qual o moleque narra tudo pra ele mesmo. E ainda tem aquele toque de aventura sci-fi infantojuvenil, que no filme era um satélite desgovernado e agora é uma poça de lixo tóxico. Tudo muito Sessão da Tarde.

Da mesma forma que é engraçado pra diabo, esse tipo de abordagem intensa, na qual um bate-papo de meia hora vira a maior amizade da vida, dá um tom nostálgico bonito à série, uma forma de homenagear a infância e a adolescência de uma geração com uma sensibilidade e um respeito que não são fáceis de se conquistar. Seria fácil avacalharem a coisa toda e caírem no pastelão, mas não tem como não achar linda, por exemplo, a saída do armário do personagem de Bradley Cooper. Faz nossos beijos gays de novela parecerem a verdadeira paródia.

Além de tudo isso, a satisfação de ver grandes nomes de Hollywood descendo do salto para trabalhar em algo visivelmente feito com o coração. Uma dica importante: assista ao filme antes – também está disponível na Netflix. Que venham os próximos dias desse acampamento maravilhoso.

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