Mad Men – Sexta Temporada

Atenção: o texto abaixo pode conter spoilers.

Uma temporada sobre parcerias, duplas e fusões que, ou não funcionam direito, ou são simplesmente de fachada. Quer dizer, Don Draper (Jon Hamm) arrumou um amigo com quem desabafar fora do trabalho, um médico vizinho. Mas não demora muito pra descobrirmos que ele está na verdade pegando a mulher do tal amigo. O campeão voltou: Don Draper não aguentou muito tempo sendo fiel.

Nosso herói passa a sexta temporada toda mais uma vez lutando contra ele mesmo. O alcoolismo, a infidelidade, ataques de sinceridade justamente quando ele deveria ser mais mentiroso (diante de clientes importantes), além das constantes decepções para Megan (Jessica Paré) e os filhos, especialmente Sally (Kiernan Shipka), a menina que sabe demais. Que belo momento aquele em que Megan diz que está no mesmo barco que as crianças, o barco de pessoas que sofrem por amar Don Draper. E que outro belo momento aquele em que Betty (January Jones), recuperada da depressão e da obesidade, diz que a pior maneira de conhecê-lo é se apaixonando por ele. Ouch.

No episódio 7, somos todos Don Draper quando ele mantém a amante presa no hotel, fazendo o papelzinho de macho alfa, mas desaba feito um bebê quando ela decide sair da fantasia e voltar à realidade. E não há nada que ele possa fazer para mudar isso porque a realidade sempre foi e sempre será sua kriptonita.

Outra dupla inusitada que se forma é Don com Ted Chaough (Kevin Rahm), a mais grata surpresa dessa temporada. Antes concorrente, Ted se torna colega de Don graças à fusão estratégica de suas agências. Ted não é Don, porque é real e honesto, mas daria tudo para ser. Ted se apaixona por Peggy (Elisabeth Moss) e queria ser capaz de levar um romance extraconjugal adiante, mas esse é só um dos talentos de Don Draper que ele não tem. Essa mistura de admiração, inveja e idealização entre eles é brilhante. E disfarça um pouco os malabarismos que o roteiro faz para trazer Peggy de volta à Sterling Cooper.

A direção de arte estrapola todos os limites das cores em cenários, adereços e figurinos para explodir o final dos anos 60 em HD na sua cara. Martin Luther King e Bobby Kennedy são assassinados. Um médico muito suspeito injeta uma substância misteriosa e deixa todo mundo muito louco, com direito ao antológico sapateado de Ken Cosgrove (Aaron Staton). Nesse episódio, temos outro grande momento da temporada quando uma menina hippie finge examinar o coração despedaçado de Don Draper.

São muitos corações partidos e declarações de amor desesperadas em uma temporada emocionalmente desgastante, aliviada apelas pelas sempre preciosas participações de Roger Sterling (John Slattery) – a segunda demissão de Burt Peterson é demais – ou pela caótica relação de Pete Campbell (Vincent Kartheiser) com a mãe senil e com o puxa-saco Bob Benson (James Wolk), um sujeito tão asqueroso quanto intrigante, desses que a gente encontra aos montes no mundo da publicidade.

A temporada termina, como não poderia deixar de ser, com todo mundo na merda. Porque lidar com a vida é mais difícil que cuidar da conta da Chevrolet e não é todo mundo que pode fugir pra California.

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