Narcos – Primeira Temporada

10 problemas da série “Narcos” mais relevantes que o sotaque colombiano do Wagner Moura:

1. A realidade supera a ficção. Toda a origem e desenvolvimento do Cartel de Medellín, narrada em off no início dos primeiros episódios, é infinitamente mais interessante que o drama “baseado em fatos reais” que vem na sequência. Então você se pergunta se não era melhor ter feito um documentário logo de uma vez.

2. A mistura de cenas de arquivo de telejornais com ficção ajuda a aumentar esse conflito entre o que é real e o que acaba parecendo teatrinho. Você vê um personagem real e na sequência o seu intérprete, você perde tempo comparando os dois, você leva alguns segundos para se acostumar novamente à representação do real. Uma questão de semiótica.

3. É complicado tentar fazer “Os Bons Companheiros” se você não é o Scorsese. Por exemplo: não é qualquer um que consegue fazer uma cena congelada com frase de efeito decente. A maioria que tenta copiar o Scorsese chega no máximo a ser um Guy Ritchie.

4. Da mesma forma, não é todo mundo que consegue imprimir a densidade e a complexidade de uma série como “The Wire” ou dos livros de James Ellroy, mas devemos louvar as boas intenções e as ótimas referências. Escutas, polícia corrupta, politicagem, fuzilamentos, influência de altos escalões do governo americano, está tudo lá. Pena que, muitas vezes, com diálogos pavorosos.

5. O realismo fantástico propagado algumas vezes não chega a dar as caras. A realidade de “Narcos” não tem nada de fantástica, por mais absurda que a história de Pablo Escobar seja. Cadê a coragem de criar pelo menos um episódio surreal, lisérgico, doidão e fantástico como Tony Soprano e Don Draper já tiveram?

6. A dupla de policiais formada por Boyd Holbrook e Pedro Pascal (o Oberyn de “Game of Thrones”) capricha tanto na pose e nas atitudes de “tiras” que acaba parecendo “Hermes & Renato”. Se a ideia foi homenagear as velhas duplas de tiras dos seriados dos anos 80, a época do Escobar, então eles estão de parabéns.

7. A narração de Boyd Holbrook é tão forçada, afetada e cheia de clichês que lá pela metade da temporada você já está torcendo para os traficantes darem um fim nele. A propósito: surgiram muitos sommeliers de sotaque nas últimas semanas reclamando do Wagner Moura mas ninguém reclamou do tira americano que vai morar na Colômbia, considera o país seu lar (sei lá por qual motivo) e não aprende quase nada de espanhol.

8. Os coadjuvantes são fracos. A esposa de Pablo Escobar, por exemplo, tem aquela participação decorativa da mulher do Don Corleone. Depois da Carmela Soprano a gente exige um pouco mais das mulheres que acompanham grandes criminosos ao longo da vida, sabe? A moça comunista revolucionária é misteriosamente esquecida. Pedro Pascal, talvez o melhor coadjuvante disponível, é pouco aproveitado.

9. José Padilha só dirige os 2 primeiros episódios, justamente os melhores. Sobre o segundo, vale mencionar a liberação daquela putaria gostosa padrão HBO. Não estou reclamando.

10. O padrão de documentário e a ação policial ofuscam muita coisa em “Narcos” e não ficamos sabendo qual a história de Pablo Escobar, afinal. Por que ele era assim? Como o sujeito derruba um avião com mais de 100 vítimas e não se importa? Quais suas motivações? Aposto 10 kg de coca que a segunda temporada vai começar com um flashback revelador sobre a sua infância.

2 comentários em “Narcos – Primeira Temporada

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