The Americans – Segunda Temporada

Perigo: pode haver spoilers.

A segunda temporada de “The Americans” parte de um recurso manjadíssimo, o clássico “quem matou?”. Um casal de espiões amigos dos Jennings é assassinado, deixando um filho adolescente órfão para eles vigiarem e um mistério para eles desvendarem. Parece simples, óbvio e até meio besta, mas não é nada disso que você está pensando. Tudo é mais complexo do que parece em “The Americans”.

Outras subtramas tentam a todo momento despistar sua atenção. Temos a expansão das consequências da Guerra Fria para outros países, como a crise na Nicarágua. Temos a ARPANET, a mãe da internet, aquela rede de comunicações que só os militares usavam. Temos os projetos dos aviões stealth, invisíveis aos radares, que podem decidir a Guerra. Temos um ótimo vilão, Larrick (Lee Tergesen). Mas tudo isso parece estar ali para desviar o foco do que realmente interessa.

E então temos a chata da Paige (Holly Taylor), a filha do casal. Ela está entrando na adolescência. Ela é rebelde. Ela quer fazer a diferença no mundo. Ela se descobre em um grupo de jovens da igreja. Ela está cada vez mais parecida com a filha chata de “Homeland“. Mas também não conte muito com isso.

O importante é que o assassinato do casal amigo faz o casal Jennings olhar para dentro de sua própria casa de uma maneira diferente. Aí que as crises domésticas passam a ser mais relevantes do que a tensão entre os EUA e a URSS, mais ou menos da mesma forma que, em “Família Soprano”, as brigas entre o Tony e a Carmela eram mais violentas que as guerras da máfia. Assim como em “Breaking Bad” tudo terminava na mesa de jantar da família White. Perceba como todas essas lindas séries usam os contextos mais grandiosos pra no final das contas trazer tudo pra casa. O agente Beeman (Noah Emmerich), que é ótimo no trabalho mas péssimo para perceber as coisas em casa (e na vizinhança), que o diga.

Não por acaso, o relacionamento mais harmonioso em “The Americans” é casamento fake da secretária Martha (Alison Wright) com Clark (Matthew Rhys). Como é de mentirinha mesmo e só ela não sabe (será?), vai tudo muito bem obrigado, a ponto de Elizabeth (Keri Russell) ficar com ciúme e sentir tesão pelo disfarce do marido. O que é de mentirinha é sempre mais excitante, até para espiões infiltrados.

Paralelamente, há a saga de Nina (Annet Mahendru) para salvar a própria pele dos dois lados do conflito. Depois que ela engana até o polígrafo, não dá mais pra saber de que lado ela está. Mas dá pra saber que o sofrimento dela é real. Sua personagem está no meio de um triângulo amoroso-político e em muitos momentos ela é filmada como uma daquelas estrelas clássicas do cinemão americano, uma Ingrid Bergman russa. Você consegue imaginar o Humphrey Bogart apaixonado por ela, se arriscando para tirá-la do país.

Os cruzamentos entre americanos e russos vão além da disputada cama da Nina: o agente Gaad (Richard Thomas) encontra o chefe da Rezidentura Arkady (Lev Gorn), o agente Beeman encontra Oleg Burov (Costa Ronin) e Philip Jennings (Matthew Rhys) encontra o prazer capitalista de dirigir um Camaro 0km. É bomba voando pra todo lado, a maior de todas explodindo no epílogo da temporada. Se você também se sentiu enganado o tempo todo, é porque “The Americans” é realmente muito boa nos disfarces.

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