Sherlock – Terceira Temporada

A melhor de todas as temporadas de “Sherlock” lançadas até agora começa com a difícil missão de explicar o que diabos aconteceu no final da temporada anterior, quando nosso herói Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) saltou para a morte diante do olhar atônito do Dr. John Watson (Martin Freeman), vítima de um complô de seu arqui-inimigo, Moriarty (Andrew Scott).

O episódio “The Empty Hearse”, inspirado em “A Aventura da Casa Vazia” de Arthur Conan Doyle, obviamente traz Sherlock de volta à vida (segura esse spoiler, o protagonista da série não morreu, puxa quem diria) para investigar um provável atentado terrorista em Londres, mas essa investigação fica em segundo plano enquanto o público, mais uma vez dividindo a curiosidade com Watson, tenta adivinhar como Sherlock sobreviveu. A solução encontrada é genial simplesmente por confundir ainda mais nosso tão limitado, boçal e ingênuo raciocínio.

Uma enorme vantagem da terceira temporada é conseguir enfim estabelecer o nível de afinidade entre a dupla de protagonistas. Finalmente entendemos o quanto eles se admiram e por quê. E como somos todos Watsons, passamos a gostar mais do insuportável detetive ao compreender seu personagem. O segundo episódio é todo dedicado a isso, quando Watson vai se casar com Mary (Amanda Abbington) e Sherlock, o padrinho, além da difícil missão de discursar aos convidados, deve desvendar uma ameaça de assassinato em plena cerimônia. Este episódio, “The Sign of Three”, foi baseado em “O Signo dos Quatro”.

O terceiro episódio, “His Last Vow”, é baseado em “As Aventuras de Charles Augustus Milverton” e traz um vilão que pela primeira vez faz Sherlock Holmes suar frio. O genial e asqueroso Charles Magnussen (Lars Mikkelsen, irmão do “Hannibal”) é um poderosíssimo homem de mídia que se torna uma ameaça por ter arquivos com os podres de absolutamente todo o Reino Unido. O homem que sabe demais. Um episódio muito moderninho sobre a era da informação, do vazamento de conteúdo particular, do Edward Snowden e da internet. E que ainda conta com reviravoltas bem interessantes e aquela sequência brilhante em que Sherlock usa todos os recursos da sua mente privilegiada para sobreviver a um tiro a queima-roupa.

No geral, a temporada ainda aprofunda a relação de Sherlock com o irmão Mycroft (Mark Gatiss), ousando chegar até o núcleo familiar dos Holmes, a dependência química e a sexualidade do personagem e detalhes sobre seu palácio da memória. “Sherlock” enfim se torna uma série grandiosa quando, no meio de todas aquelas estripulias visuais e deduções geniais o seu protagonista, com a providencial ajuda do Dr. Watson, demonstra sua humanidade. Era só isso que a gente queria saber, Sherlock. Agora deu até vontade de rever as duas primeiras temporadas com outros olhos.

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