Roxie Hart (Renné Zellweger), uma aspirante a vedete na glamourouza Chicago dos anos 40, sonha em ser como Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), uma das maiores estrelas da cidade, paparicada pela imprensa, idolatrada pelo público e presa por um duplo assassinato. Na ânsia de atingir o estrelato, Roxie trai o marido (John C. Reilly) e acaba assassinando o amante, indo parar detrás das grades junto com Velma. Cuidando das duas estão a carcereira – e uma espécie de produtora das estrelas enjauladas – vivida por Queen Latifah e o advogado pilantra e sedutor vivido por Richard Gere.
A partir desta trama, “Chicago” narra as intrigas, as brigas e as traições de Roxie em sua busca incessante pela fama. A prisão vira palco de belíssimos números musicais através da mente fértil da sonhadora Roxie, que vê sua vida como um grande espetáculo da Broadway.
Na Broadway, aliás, foi onde surgiu a primeira versão de Chicago, ainda na década de 50. Durante anos diversos diretores tentaram levar a peça para o cinema, inclusive o mito Bob Fosse (de “Cabaret”), um dos maiores diretores da época de ouro dos musicais hollywoodianos. Coube ao jovem Rob Marshall, também oriundo da Broadway, a tarefa de transportar o espetáculo para as telas. A Academia adorou e indicou o filme em 13 categorias, tornando-o o favorito ao Oscar deste ano.
Há que se destacar os pontos fortes do filme: a edição precisa, as coreografias, a fotografia, os figurinos… enfim, tecnicamente é um filme perfeito, que consegue resgatar o espírito dos antigos musicais de Hollywood. Porém, há que se destacar também o excesso de entusiasmo da crítica e da própria Academia em relação ao filme. “Chicago” não é tudo isso.
Renné Zellweger (“Jerry Maguire” e “O Diário de Bridget Jones””) é simpática, mas sua personagem não. É difícil simpatizar-se com um filme caso você não tenha um pingo de simpatia pela personagem principal. Além disso, Renné não possui o sex appeal de sua antagonista Catherine Zeta-Jones. No final das contas, quem tem simpatia de sobra é Richard Gere, que surpreende dançando, cantando e roubando as melhores cenas do filme. E atenção para a comovente performance de John C. Reilly como o marido apaixonado e traído. Acostumado a papéis coadjuvantes em grandes filmes, Reilly está em três dos cinco filmes indicados ao Oscar: “As Horas”, “Gangues de Nova York” e este “Chicago”. Por isso, não se surpreenda caso ele saia da cerimônia premiado.
“Chicago” é assim: se você entrar no clima nostálgico e se deixar levar, talvez até saia sapateando pelos corredores do cinema. Se você gosta de musicais belos e inovadores, vai ficar com saudade da ousadia de “Moulin Rouge”. Se você pretende ver um duelo de interpretações femininas memorável, prefira ver “As Horas”. “Chicago” oferece apenas algumas horas de entretenimento de qualidade e de muita nostalgia, mas não vai mudar sua vida