Matrix Reloaded

Em 1999, “Matrix” surgiu como quem não quer nada e desbancou o tão aguardado “Star Wars – A Ameaça Fantasma” do posto de filme-sensação do ano. Depois do sucesso do primeiro filme – colocado no mesmo patamar de obras como “Blade Runner” – os irmãos Wachowski revelaram que “Matrix” era apenas o primeiro capítulo de uma trilogia. Em uma estratégia inédita, os irmãos diretores decidiram, ao lado do produtor Joel Silver, lançar as duas seqüências no mesmo ano, com um intervalo de apenas seis meses.

Os quatro anos de espera, o hype criado sobre o filme original e os milhões de dólares gastos na produção não foram em vão: “Matrix Reloaded” vale cada centavo gasto, cada minuto de espera e toda a festa criada para recepcioná-lo. Ao contrário do que muita gente andou falando, trata-se de uma seqüência digna de seu original. Acredite: mesmo que você tenha ficado impressionado com os trailers, nada se compara à experiência de ver este filme no cinema – mesmo com dezenas de pessoas gritando e aplaudindo as peripécias dos heróis, algo inevitável para um filme deste porte.

Quando vimos Neo (Keanu Reeves) pela última vez, ele tinha acabado de descobrir seus superpoderes enquanto “predestinado”, havia ressuscitado e descoberto o amor de Trinity (Carrie-Anne Moss). Agora, Neo terá que provar para todos que a profecia era uma realidade e que ele é mesmo o responsável por salvar a humanidade. Zion, a última cidade humana, está dividida entre os que acreditam e os que não acreditam na profecia. Entre os crentes, Morpheus (Laurence Fishburne) é o líder. Zion está ameaçada pela aproximação das sentinelas da Matrix, que podem destruir a cidade a qualquer momento, e Morpheus sabe que a única esperança é Neo. Só o predestinado pode invadir o mainframe da Matrix e colocar um fim ao domínio das máquinas.

Para ajudar a tripulação da nave Nabucodonosor em sua missão, temos a volta do Oráculo (Gloria Foster, que faleceu após as filmagens), revelando mais sobre si mesmo e sobre a Matrix. Também conhecemos mais sobre Zion e sobre os humanos que lá vivem, como Niobe (Jada Pinkett Smith, mulher de Will Smith), que teve um caso com Morpheus no passado. Entre os vilões, muita gente nova e ameaçadora aparece, mas o bom e velho Agente Smith (Hugo Weaving) continua sendo o mais carismático. Ele volta transformado, mais poderoso depois de sua luta com Neo no final do filme anterior. Agora, ele se multiplica igual a um vírus de computador. A luta de centenas de agentes contra Neo, vista de relance no trailer, já é clássica. Perto desta cena, o “desviar de balas” do primeiro parece coisa de filme caseiro.

Aliás, a evolução dos efeitos é impressionante. As cenas de ação de “Matrix Reloaded” irão ofuscar os demais filmes de ação durante anos. Cenas como a citada luta ou a perseguição de carros, motos e caminhões no final devem definir um novo padrão de qualidade em Hollywood – um padrão que ninguém vai conseguir igualar tão cedo.

Quanto ao roteiro, temos a seqüência da saga de Neo, que agora age como um Super-Homem na Matrix. Porém, revelações, reviravoltas e escolhas decisivas que podem decretar o fim da humanidade continuam atormentando a mente do nosso herói. As questões filosóficas são aprofundadas e muitas novas dúvidas surgem no caminho de Neo.

Desta forma, o ritmo do filme aponta para um futuro incerto e pessimista. Isso somado à ação desenfreada e às inovações tecnológicas faz com que não seja um absurdo compararmos esta seqüência a “O Império Contra-Ataca”, o segundo capítulo de “Guerra nas Estrelas”, lançado em 1980 e até hoje um marco na história das continuações.

Claro que “Matrix Reloaded” não tem o impacto do primeiro filme, já que o “elemento-surpresa” não existe mais – a não ser nas peripécias técnicas da equipe de efeitos especiais. Mas os irmãos Wachowski, diretores da trilogia, não decepcionaram os fãs e entregaram um filme de primeira. O melhor de tudo é saber que já em novembro tem mais.

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