Na véspera de sua execução, um assassino está sendo transportado pela polícia para uma última audiência, a última tentativa de seu advogado de salvar sua vida e interná-lo em um manicômio. Em outro local indeterminado, a chuva cai torrencialmente, obrigando dez pessoas a se abrigar em um motel picareta na beira da estrada. Claro que as duas histórias estão interligadas, e é dessa ligação que surge a trama de Identidade.
Enquanto a chuva cai, os personagens são apresentados: Ed (John Cusack) é o motorista da atriz Caroline (Rebecca DeMornay) que no meio da tempestade atropela Alice (Leila Kenzle), esposa de George (John C. McGinley) e mãe de Timmy (Bret Loehr). O acidente e a chuva deixa todos ilhados no motel de Larry (John Hawkes), junto de Paris (Amanda Peet), o casal Lou (William Lee Scott) e Ginny (Clea DuVall), e finalmente o policial Rhodes (Ray Liotta)e seu prisioneiro (Jake Busey).
Se a situação já não fosse dramática o bastante, os hóspedes do motel começam a ser assassinados brutalmente, um a um. Aos poucos, descobrimos que todo mundo ali tem algo a esconder, nem todos são o que parecem ser, e o fato de estarem todos juntos pode não ser uma coincidência.
Em determinado ponto da trama, você não sabe se está assistindo a um típico filme de terror com um serial killer carniceiro, a um episódio de Além da Imaginação ou a uma obra de Hitchcock. O modo como o filme navega por todos estes subgêneros do suspense talvez seja sua maior virtude. O diretor James Mangold mais uma vez mostra seu talento versátil: Ele já dirigiu um ótimo drama policial (Cop Land, com Sylvester Stallone, Ray Liotta e Harvey Keitel), um drama feminino (Garota, Interrompida, com Winona Ryder e Anjelina Jolie) e uma comédia romântica (Kate & Leopold, com Hugh Jackman e Meg Ryan). Em Identidade, ele abraça pela primeira vez o suspense, assim como o astro John Cusack – que sempre agrega credibilidade e simpatia a qualquer gênero.
Identidade é um daqueles filmes em que o espectador não pode perder nenhum detalhe. O cinéfilo mais atento pode até achar que decifrou o mistério lá pela metade da projeção. Grande erro! O roteiro reserva surpresas e mais surpresas até os créditos finais. A estrutura montada para surpreender lembra outros grandes suspenses subestimados pelo grande público, como o genial Uma Simples Formalidade (de Giuseppe Tornatore, com Gerard Depardieu e Roman Polanski) e o recente A Mão do Diabo, de Bill Paxton.
Ou seja: a graça de Identidade não é exatamente original, porém não é sua intenção reinventar a roda. É filme para se ver grudado na poltrona, tentando adivinhar seus segredos e se deixando levar pelas surpresas do roteiro. Os fãs de Além da Imaginação e de Alfred Hitchcock vão adorar.