Chernobyl

Oren Peli é um nome de sucesso no atual terror juvenil graças à série “Atividade Paranormal”. Agora ele começa a atirar para outros lados produzindo e roteirizando este “Chernobyl”, que parte de uma ideia simples, óbvia (como ninguém pensou nisso antes?) e interessante: as ruínas da catástrofe nuclear de Chernobyl são o cenário perfeito para um filme de terror.

Assim, lá vai uma turma de jovens turistas em busca de fortes emoções passar umas horas na cidade de Pripyat, onde moravam os trabalhadores de Chernobyl. É claro que algo vai dar errado, eles vão ficar presos na cidade fantasma e cabeças vão rolar.

O suspense até que funciona no primeiro terço do filme, quando a rapaziada babaca chega até a cidade, principalmente porque o guia da tour extrema (Dimitri Diatchenko) estranhamente funciona. Quando a coisa começa a dar errado e os jovens têm que se virar sozinhos, você quer mais é que todos se explodam.

O amigo nerd com experiência em terror, ou mesmo o mirim que se impressiona até com a série “The Walking Dead”, vai passar todo esse primeiro terço do filme pensando em conclusões mirabolantes muito melhores do que a apresentada pelo glorioso Oren Peli. Nem o J.J. Abrams seria tão desleixado.

O diretor estreante Bradley Parker, vindo do departamento de efeitos especiais, exagera naquela máxima hitchcockiana de esconder o perigo para gerar medo. Neste caso, parece mesmo que faltou orçamento para criar a ameaça que ataca o grupo. No conceito geral, o filme se perde mais que seus personagens. “Chernobyl” não é um falso documentário, mas Parker coloca a câmera tremendo ao lado de suas vítimas como se um personagem inexistente estivesse operando a mesma. “Chernobyl” também não é um filme de zumbis apesar de usar alguns elementos clássicos do subgênero, como o cenário apocalíptico. E finalmente “Chernobyl” não tem nenhum traço de filme trash, levando-se a sério demais com seus sustos infantis, como o manjado “vou levar 30 segundos para abrir esta cortina”, repetido pelo menos umas três vezes.

É realmente decepcionante que o subgênero do terror radioativo – vem à mente o clássico “Toxic Avenger” da Troma – mal tenha renascido e já tenha sido enterrado tão melancolicamente. A tragédia de Chernobyl merece um filme à altura. Torcemos para que este não faça sucesso a ponto de Oren Peli rodar a sequência em Fukushima.

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