O termo “feud” significa rixa, uma rivalidade histórica. Fla X Flu, Real X Barça, Mezenga X Berdinazzi, Montéquios X Capuletos, Republicanos X Democratas, Microsoft X Apple. Nos Estados Unidos, Hatfields X McCoys é sinônimo de rivalidade. As desavenças entre os dois clãs na fronteira entre a Virgínia Ocidental e o Kentucky começaram com o fim da Guerra Civil e se estenderam durante décadas, tornando-se parte da cultura e da história do país.
Durante a Guerra Civil, o “Demônio” Anse Hatfield (Kevin Costner) e Randall McCoy (Bill Paxton) ainda lutavam lado a lado. Cada um volta para casa de uma forma. Hatfield abandona a guerra e aproveita para lucrar em cima dela, tornado-se um bem sucedido dono de terras. McCoy luta até o final e volta acabado, entregando-se à fé para se reerguer. Os pequenos desentendimentos começam aí e vão aumentando como uma avalanche descontrolada, até acabar em muito sangue derramado. Quase uma nova Guerra Civil.
A saga dos Hatfields contra os McCoys, já explorada em diversas mídias, se tornou uma minissérie do History Channel em 3 episódios de aproximadamente 1h40 cada (2h na TV, com intervalos comerciais). Foi a primeira obra desse tipo exibida no canal – “The Kennedys” foi a primeira produzida, mas não exibida por questões políticas nos bastidores.
O comandante escolhido para a empreitada foi Kevin Reynolds, cineasta que sabe transformar épicos históricos em aventuras românticas e descompromissadas como “Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões” e “O Conde de Monte Cristo”. Reynolds não compromete mas também não ajuda. Sua minissérie se divide entre a necessidade de ser fiel à história (afinal é do History) e à vontade de ser interessante como entretenimento, um conflito que “Band of Brothers” conseguiu resolver tão bem. Em outro exemplo da HBO, “Deadwood”, a questão dos Pinkerton e das influências políticas no velho oeste foi explorada com muito mais competência.
O romantismo de Reynolds aflora quando o filho de Hatfield se apaixona pela filha de McCoy em um clássico conflito Romeu & Julieta, com um casal sonso que quase naufraga a minissérie logo em seu primeiro capítulo. Felizmente, esse romance água com açúcar não resiste à rixa familiar e logo se torna só mais um de seus muitos elementos incendiários.
Um ponto muito positivo é o enfoque imparcial da trama, que não cai na tentação de vitimizar um dos lados e transformar o outro em vilão. A princípio os Hatfields poderiam ser os bandidos, já que Arse desertou e enriqueceu com a especulação imobiliária sem escrúpulos. Mas a partir do momento em que os McCoys se aliam a um advogado pilantra e a um mercenário sanguinário, os atos covardes se equilibram. Enquanto isso, filhos e sobrinhos dos dois líderes capricham nas provocações que levam a rivalidade a patamares cada vez mais violentos.
Outra vantagem é que Reynolds não cai na tentação do heroísmo barato e do falso glamour das batalhas. Hatfields e McCoys são caipiras em guerra, não soldados. Eles têm armas, mas não têm estratégias militares. Assim, cometem barbaridades como deixar o primo deficiente mental cuidando dos fundos da casa durante um cerco ao inimigo. Já as batalhas campais são cheias de trapalhadas, com gente despreparada dando tiro na orelha do próprio parente.
A se lamentar a falta de experiência do History Channel com esse tipo de série. Apesar das quase 5h de duração, são muitos fatos, muitos personagens (vários deles crescem de um capítulo para o outro), passam-se décadas sem que você consiga se localizar. Fica claro que “Hatfields & McCoys” poderia ter uma temporada completa com 12 episódios, ou até outras temporadas para abordar bons personagens como a safada Nancy McCoy (Jena Malone) e o melhor de todos, Jim Vance (Tom Berenger), o animal selvagem que é braço direito de Hatfield.
Com uma boa trama e um ótimo elenco recheado de heróis de décadas passadas (Costner, Paxton e Berenguer estão excelentes), “Hatfields & McCoys” deixa a sensação de que poderia ser um fenômeno na HBO. No History, foi só uma boa tentativa.
Me chamou muito atenção foi a falta de Deus no coração dessa gente que levou eles ao desprezo total pela vida humana chegando a ignorar tudo e qualquer valor humano por orgulho.E no mais é uma história triste que mostra uma realidade dura ja naqueles tempos e que hoje podemos observar que ainda existe muitos Hatfieldes e MacCoys espalhados por ai anônimos.
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Gostei muito da série, da fotografia e personagens…mas gostei muito da availação e a percepção deo suceeso que poderia ser na HBO….se eles conseguiram transformar Boardwalk Empire em um grande sucesso…o que não fariam com essa contenda familiar !!!
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Ontem acabei de assistir a série; fique realmente impressionado com a escolha dos personagem de cada papel, com a atuação de todo o elenco e principalmente com a forma com que a estória se desenrola em detalhes íntimos das duas famílias em um curto período tempo.No fim, nas entrelinha da surpreendente morte de Randall McCoy, encontrei a moral da história desta rivalidade toda: _não apreciar a vida e deixa de aprender com ela levou-os a total ignorância, assim a debilidade natural que piora com a idade tomando lentamente a jovialidade humana matou o velho Randolph da forma mais banal. Não só a vida foi tomada da família McCoy, mas também lhes foi privado o direito de viver já que provaram apenas guerra e insanidade.
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