A culpa é da cidade.

São Paulo é mais São Paulo quando chove. O trânsito fica mais caótico. As luzes ficam mais brilhantes. O ar fica mais pesado. As pessoas ficam mais desesperadas. Os animais ficam mais assustados.

Os demais seres da cidade vagam por aí sem serem notados, figuras atormentadas, fora de foco, perdidas nos reflexos dos semáforos, dos retrovisores e das lanternas dos carros, flutuando nas ondas das buzinas, das sirenes e dos gritos dos outros.

Uma gota vem do céu poluído, explode no concreto, cai no asfalto e escorre para o esgoto. Nesse breve intervalo, histórias incríveis acontecem. Histórias que às vezes se cruzam, às vezes só seguem em frente. Ninguém percebe, porque estão todos preocupados tentando voltar para casa.

(em atualização)