Cold Mountain

Em 1996, o diretor Anthony Minghella dirigiu “O Paciente Inglês”, um épico romântico à moda antiga, que aparentemente enganou todo mundo, fez bonito na bilheteria, ganhou vários Oscars e caiu no esquecimento. O cineasta repete a fórmula em “Cold Mountain”, mais uma vez um épico romântico muito bonito enquanto dura, mas sem potencial para figurar em nossas memórias por muito tempo. A diferença é que, desta vez, público e crítica não caíram na armadilha de Minghella, e a sua pretensão acabou valendo apenas um merecido Oscar de Atriz Coadjuvante para Renée Zellweger.

Na Guerra Civil americana, cenário que você já viu antes em “…E o Vento Levou”, Inman (Jude Law, esforçado) é um introvertido camponês que vai para guerra deixando para trás sua recém-conhecida amada Ada Monroe (Nicole Kidman, linda e eficiente como sempre). Traumatizado com os horrores da guerra, que se revela mais longa do que o esperado, Inman resolve desertar e voltar para os braços da moça, que o aguarda solitária em sua fazenda – abandonada desde a morte de seu pai (Donald Sutherland). A questão é: ele não tem certeza de que ela o está esperando, enquanto ela também não sabe se ele vai voltar vivo.

Enquanto esta dúvida permanece entre os personagens, ambos seguem suas histórias paralelamente. Inman, na jornada de volta para casa, passa por situações oportunamente retiradas da Odisséia de Homero (recurso também utilizado pelos irmãos Coen na comédia “E Aí Meu Irmão, Cadê Você?”), com ótimos personagens secundários passando por sua vida. Entre eles, destacam-se o pastor pecador vivido por Philip Seymour Hoffman e a jovem viúva camponesa Natalie Portman.

Do outro lado, a patricinha Ada encontra dificuldades para sobreviver sozinha em meio à bandidagem que começa a tomar conta de Cold Mountain (nome da cidade, por isso o título do filme não foi traduzido). Ada segue o estilo Scarlet O’Hara de vida – só faltou a clássica cena com a promessa de nunca mais passar fome. Ela encontra ajuda na caipira Ruby (Renée Zellweger, fazendo valer os prêmios que recebeu), uma mulher forte e experiente com a vida no campo.

As mulheres, aliás, são a alma do filme, mostrando-se fortes e esclarecidas enquanto seus amados não tão esclarecidos assim vão para a guerra achando que só a luta armada vai resolver seus problemas.

Tecnicamente impecável, “Cold Mountain” incomoda por seu tom excessivamente frio, uma opção do diretor que acaba tirando um pouco do carisma do casal central. Por isso, não é de se estranhar que os coadjuvantes roubem a cena cada vez que aparecem. Até Jack White, o vocalista dos White Stripes estreando nos cinemas, é mais carismático do que o casal. Uma pena, mas faltou algo mais para “Cold Mountain” se tornar o grande filme que pretende ser. De qualquer forma, o conjunto da obra ganha considerável fôlego sempre que Renée Zellweger aparece para quebrar o gelo.

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