Top 10 Novelas

Aproveitando a ótima fase do canal Viva, que terminou “Vale Tudo” e agora está reprisando “Vamp” e “Roque Santeiro” – respectivamente, “Os Goonies” e o “Cidadão Kane” das novelas – segue uma pequena homenagem ao grande baluarte da cultura pop brasileira. Infelizmente minha tenra idade não me permitiu aproveitar a Era de Ouro da rainha Janete Clair (“Pecado Capital”, “O Astro”, “Pai Herói”, “Irmãos Coragem”, “Selva de Pedra”) e só tive acesso aos seus remakes, portanto fica registrada a menção honrosa.

10.
“A Viagem”, de Ivani Ribeiro (1994)

Remake de uma novela da Tupi de 1975, antecipou já nos anos 90 a onda espírita que tomou conta do cinema nacional nos últimos anos, provando que nosso cinema está sempre atrasado. O Nosso Lar da novela tinha Otávio (Antônio Fagundes) e Dinah (Christiane Torloni) tentando salvar a alma perturbada de Alexandre (Guilherme Fontes) do inferno. Ainda tinha um grande personagem coadjuvante, o Dr. Alberto (Claudio Cavalcanti), e a emblemática música-tema do Roupa Nova na abertura.

9.
“Quatro por Quatro”, de Carlos Lombardi (1994/95)

A novela de apelo feminista girl power foi o ápice da carreira de Carlos Lombardi, grande representante da pornochanchada soft no horário das sete. A trama girava em torno de 4 mulheres à beira de um ataque de nervos (Elizabeth Savalla, Cristiana Oliveira, Letícia Spiller e Betty Lago), mas o bicho pegava mesmo era na relação conturbada de Babalu (Spiller) e Raí (Marcelo Novaes). Ainda tinha o grande comedor Ralado (Marcelo Faria) e uma trilha sonora fantástica que incluia “Always” do Bon Jovi.

8.
“Mandala”, de Dias Gomes (1987/88)

Adaptação do mitológico “Édipo Rei” de Sófocles, trazia o famoso caso de Édipo (Felipe Camargo) com sua mãe Jocasta (Vera Fischer). Não contente em pegar a própria mãe, Édipo tem poderes paranormais, mata sem querer o pai biológico e trava um duelo mortal contra o vilão Argemiro (Carlos Augusto Strazzer) no final de novela mais heavy metal da história. Ainda tinha um coadjuvante clássico, Tony Carrado (Nuno Leal Maia) e a marcante “O Amor e o Poder” de Rosana na trilha (aka “como uma deusa”).

7.
“Tieta”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares (1989/90)

Baseada na obra de Jorge Amado, mostra o retorno da teúda e manteúda Tieta (Betty Faria) a sua terra natal, Santana do Agreste, rica e poderosa, escondendo de todos que ganhou fortuna como prostituta. Sua irmã beata, Perpétua (Joana Fomm), é uma das melhores personagens da história da TV. Ainda tinha Ascânio, Tonha, Elisa, Timóteo, a virgem de 40 anos Carmosina, Cinira, Modesto Pires e o Coronel Artur da Tapitanga, todos clássicos. Mais uma vez a teledramaturgia supera o cinema nacional, já que a versão de Cacá Diegues pras telonas é uma porcaria – além de o tema do Luiz Caldas ser bem melhor que o do Caetano Veloso.

6.
“Vamp”, de Antonio Calmon (1991/92)

Aventura e humor com vampiros no melhor estilo “Os Garotos Perdidos” ou outros filmes queridos da Sessão da Tarde, com destaque para a vampira popstar Natasha (Claudia Ohana) e o vilão, o Conde Vlad (Ney Latorraca), e mais um desfile de coadjuvantes ilustres como o trio Matoso, Matosinho e Matosão e a caçadora de vampiros vivida por Vera Holtz. Uma novela teen pop perfeita que aperfeiçoou a fórmula de “Top Model” e ainda tinha “Noite Preta” da Vange Leonel na trilha, ao lado de uma versão de “Sympathy for the Devil” cantada pela própria musa Natasha.

5.
“Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa (1993)

As novelas sertanejas do Benedito Ruy Barbosa são todas boas (vide “O Rei do Gado”), mas de sua fase global nada supera “Renascer”. Zé Inocêncio (Antônio Fagundes) ainda novo fincou seu facão no pé do jequitibá, ficou com o corpo fechado e virou o rei do cacau. Mas ele não se dá bem com o filho João Pedro (Marcos Palmeira), a quem culpa pela morte da esposa, e até rouba a namorada dele (Adriana Esteves). Ainda tinha coadjuvantes incríveis como a hermafrodita Buba, Tião Galinha, o jagunço Damião e o Coronel Belarmino (“justo, muito justo, justíssimo”).

4.
“Que Rei Sou Eu?”, de Cassiano Gabus Mendes (1989)

No ano de 1786, o reino de Avilan é controlado por uma rainha louca e uma turma de conselheiros pilantras e corruptos, mas há a esperança das classes mais oprimidas na figura de Jean Pierre (Edson Celulari), filho bastardo do rei e herdeiro ao trono. A sátira política-social com capa-e-espada foi a melhor novela das sete de todas, com um elenco primoroso, coadjuvantes de peso como o bobo da corte Corcoran e o bruxo Ravengar, e “Eternal Flame” marcando época na trilha.

3.
“Pantanal”, de Benedito Ruy Barbosa (1990)

Como não vi “Irmãos Coragem”, “Pantanal” é minha novela western favorita. Uma saga familiar cheia de folclore, paisagens exuberantes e muita mulher pelada. E a única novela não-global no meu top. José Leôncio (Claudio Marzo) é o tradicional patriarca do Benedito Ruy Barbosa. A partir de sua trajetória como criador de gado no Pantanal surgem as lendas e as histórias de Joventino, Juma Marruá, Filó, Maria Bruaca, Muda, Maria Marruá, o Véio do Rio e tantos outros. Fica a lembrança das rodas de viola com Sérgio Reis e Almir Sater, da tensa cena em que o coronel Tenório capa o peão Alcides, da bela trilha instrumental de Marcus Viana e de muita nudez nos rios do Pantanal.

2.
“Vale Tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères (1988/89)

Brasil, mostra a tua cara! Raquel (Regina Duarte) é a boa mãe traída pela própria filha mau caráter, Maria de Fátima (Gloria Pires), que passa a vender sanduba na praia pra sobreviver. A novela que desafiava a honestidade do povo brasileiro definiu uma era e permanece atual até hoje. A alcóolatra Heleninha (Renata Sorrah) e sua mãe, a vilã Odete Roitman (Beatriz Segall), gravaram seus nomes na história e a questão “quem matou Odete Roitman?” virou mania nacional. No último capítulo, o canalha vivido por Reginaldo Faria fugia do país e deixava uma banana para os trouxas honestos de todo o Brasil. Classe.

1.
“Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva (1985/86)

Melhor novela de todos os tempos, teve sua primeira versão censurada e depois voltou com tudo chutando o pau da barraca. Política, religião, folclore, turismo, arte, cultura e principalmente muita mentira e safadeza rolavam em Asa Branca. A cidade vivia às custas da lenda do finado Roque Santeiro (José Wilker), mas tudo vai pro ventilador quando o sujeito aparece bem vivo na cidade. Forma-se então o célebre triângulo amoroso com a viúva Porcina (Regina Duarte) e o Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Ainda tinha uma galeria de coadjuvantes históricos como o Zé das Medalhas e o professor lobisomem. No último capítulo, uma bela homenagem a “Casablanca”. Um clássico absoluto. Tô certo ou tô errado?

14 comentários sobre “Top 10 Novelas

  1. Excelente!!! Minhas novelas preferidas estão aí, apenas trocaria Pantanal (mas só porque não assisti) por aquela Vira-Lata, que tinha o eterno amor iô-iô e cheio de lágrimas do Del e da Renata. Aliás, a música deles era How Deep is Your Love! Sou apaixonada por essa música desde sempre. (agora que vi que o comentário acima fala dessa música também). Enfim, grandes novelas! Nunca mais nenhuma novela arrebatou meu coração. Acho que somente Celebridade, por causa da Claudia Abreu vilão. Priceless! Por coincidência ontem eu fiquei em casa, de repouso, por causa de uma forte febre e infecção de garganta, e pude assistir Roque Santeiro e Vamp. Bom demais! Abraços e parabéns pelo post, demais!

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  2. Top10 quase perfeito, faltando apenas encaixar \”A Gata Comeu\”em algum lugar! Naquela novela a Cristiane Torlone ficava presa com o Nuno Leal Maia e mais um bando de crianças numa ilha deserta e se apaixonava por ele, para depois sequestrá-lo e mantê-lo em cativero para que ele se apaixonasse por ela. Essa também foi sensacional.

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  3. Talvez um dos melhores rankings desse blog!Rolou toda uma nostalgia por aqui.Também senti falta de \”A Gata Comeu\”, como o Felipe aí de cima.Outra que eu gostei muito foi \”Rainha da Sucata\” e aquela que tinha a Rutinha e a Raquel (não lembro o nome), hahaha.Beijo.

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  4. Belo ranking. Também botaria Top Model, Ti-ti-ti e Rainha da Sucata. Lembra daquele episódio de Renascer que Damião vai pela primeira vez à cidade grande, e filmaram a sequência inteira em 35mm?

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  5. Amei!! Relembrei toda a minha infância agora!Pena que o top é só 10, senão acrescentaria A Gata Comeu, Mulheres de Areia, Rainha da Sucata, aquela que tinha o Flamel (com o Edson Celulari alquimista hahaha), a do Jorge Tadeu… (Putz, sou péssima pra lembrar nomes de novelas!! rs)

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  6. Acrescentei a errata sobre o Take That. Valeu aí o toque! Todas as novelas citadas aqui ganhariam vaga num top 20 com certeza. A Gata Comeu teve a melhor trilha internacional de todas. E sim, eu me lembro do Damião na cidade grande, muito bom!!

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  7. Sou muito noveleira sim… Na verdade, não tem como se fugir dessa sina se o seu pai se chamava José Inocêncio (por 9 meses eu fui a filha do \”coroné\”) e se tem uma tia que fala igual ao Tião Galinha (é maldade, eu sei, mas é a pura e triste verdade… rsrsrs).O pessoal falou de outras novelas que eu me lembro também: a do Jorge Tadeu era Pedra sobre pedra, da Raquel e da Rutinha era Mulheres de Areia e a do Flamel acho que era A Indomada. Nessa eu gostava muito da personagem do Selton Mello, que namorava a Amapola, mas aí minha memória começa a falhar.Daí, pra minha lista, faltou só Anjo Mau (onde a Alessandra Negrini fez mesmo uma vilã dissimulada e odiável de verdade) e Paraíso Tropical em que eu não perdia um capítulo só pra rir a beça com a Bebel e o Olavo… rsRanking com cara de sexta-feira… nice…

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  8. Na verdade, nessa hora tô relendo meus quadrinhos Marvel e DC. Me processem também, internerds!Faltou Top Model. E comentários chauvinistas sobre o elenco teen de Vamp, porque tosqueira é bom e eu gosto.

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  9. Curti a lista. No meu caso, eu incluiria algum trabalho do Silvio de Abreu, que mudou o formato da novela das 7 com \”Guerra dos Sexos\” em 1983 (mas \”Vereda Tropical\”, que ele escreveu junto com o Carlos Lombardi em 1984, também é bem bacana). \”A Gata Comeu\” também teria lugar nessa lista, e inclusive porque, como você bem lembrou, a trilha internacional era boa pacas.

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  10. Um amigo meu afirma categoricamente que a trilha internacional de \”A Gata Comeu\” eh a melhor trilha de todos os tempos de novela…E como eh um blog q trata muito de cinema, pq nao falar da 'trilogia da corrupção' (sim, a unica trilogia da cultura brasileira) do Gilberto Braga: Vale Tudo, O Dono do Mundo e Pátria Minha.

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  11. Ah seu noveleiro!!! hehehe… brincandeira.É meio complicado mesmo esse negócio de você estar lá jantando e a televisão tá ligada passando a novela, depois ainda por cima dá aquela preguiça então você acaba sentando no sofá assistindo.Primeiro post que li do blog, meio nostalgico mesmo inclusive porque a maioria das novelas são dos anos 90, anos da minha infância…Mas muito bom o post, parabéns. O blog já tá aqui no meu Reader.

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