31 Filmes

Desde que eu me conheço por gente, gosto de cinema. Nasci em Leme, interior de São Paulo, em 1977. Minhas primeiras lembranças de filmes vêm do começo dos anos 1980, no Cine Alvorada, a sala da cidade que exibia os lançamentos mais badalados, ou no Cine Marabá, a sala dos filmes alternativos e das reprises. Sou da geração que tem carinho pela Sessão da Tarde. Vivi a era das fitas piratas nas locadoras, a transição para as fitas seladas, a morte do VHS e o nascimento do DVD. Cheguei à era dos torrents de arquivos digitais, do Blu-ray e do streaming. Vi o cinema de rua morrer e os multiplexes de shopping tomarem conta, incluindo as salas 3D e IMAX.

No livro 31 Canções, publicado no Brasil em 2005, o escritor Nick Hornby revelou 31 músicas que marcaram a vida dele de um modo muito pessoal. Não era uma crítica, não tinha necessariamente a ver com valor artístico. Era mais uma questão da música certa tocada no momento certo. Quem gosta de música sabia exatamente do que ele estava falando. Quem leva música a sério já fez sua lista particular com mais ou menos canções e sabe onde cada uma delas se encaixa em sua própria biografia.

Assim como uma música, um filme é capaz de marcar uma fase da vida. As pessoas deveriam conversar mais sobre filmes enquanto experiências pessoais. Na entrevista do meu primeiro emprego, perguntaram-me quais eram os meus três filmes favoritos e logo vi que estava no lugar certo. Essa informação deveria estar em todos os currículos e com as devidas justificativas. Porque gostar ou não de algo é muito relativo e, na maioria das vezes, também é irrelevante. Quando você pensa sobre um filme, tem questões muito maiores em jogo, coisas que explicam quem você é e o seu modo de ver o mundo.

Provavelmente, dediquei mais tempo a filmes do que a qualquer outra coisa na vida. Entre 1985 e 1995, mantive uma grande coleção de fotos de filmes recortadas de jornais e revistas. Durante uns vinte anos, acompanhei religiosamente todas as edições da revista Set, desde aquela com Uma Cilada para Roger Rabbit na capa, de 1988. Das minhas primeiras anotações no catálogo da locadora, passando pelos guias de vídeo, revistas, os diversos blogs e o IMDb, até chegar à minha conta organizada no Letterboxd foi uma longa jornada de registros aleatórios. De alguma forma eu sempre quis encontrar uma desculpa para registrar esse monte de informação sobre mim mesmo.

Então, em 2008, inspirei-me no Nick Hornby e criei um blog sobre os filmes que mais marcaram a minha vida. Mais que um hobby, foi um processo de autoanálise que poderia se estender até o fim dos meus dias, não fosse o limite de trinta e uma obras estipulado pelo autor inglês e atingido dez anos depois.

Agora, o 31 Filmes completou seu ciclo e transformou-se em um livro graças à Fabi e ao Marcelo, os amigos da Gauche Books, que toparam realizar esse sonho imprimindo estas páginas da maneira mais bonita possível. Agradeço a eles e a todos os amigos que me fizeram companhia em tantas e tantas sessões, alguns deles citados nos textos, direta ou indiretamente. Agradeço também a todos os conhecidos e desconhecidos que tiveram a paciência de ler cada post. E, finalmente, dedico este livro à minha família, que me levou ao cinema lá no começo de tudo.

Você pode comprar o livro aqui.

Boa leitura e bons filmes! Espero que, no fim, tudo faça sentido.

 

31filmeslabel

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Cenas deletadas:

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