Eric Clapton no Morumbi, 12/10/11

Cada um tem a sua fase preferida de Eric Clapton. A minha é com o Derek and the Dominos. Tem gente que prefere o Cream ou a fase acústica “Tears in Heaven”. Todos estavam juntos ontem no Morumbi e, de certa forma, foram atendidos pelo setlist curto porém competente do deus dourado da guitarra. No meu caso, vieram logo de cara “Key to the highway” e “Tell the truth”.

Há que se contestar a realização de um show desse tipo em um estádio de futebol com cadeiras na pista. A área do gramado foi dividida em 4 seções e eu fiquei na última, a do fundão, evidentemente a mais barata. A economia acabou valendo a pena, porque a turma do fundão conseguiu ver o show inteiro de pé, sem ninguém encher o saco e com todas as outras seções devidamente sentadas e espremidas na frente.

Felizmente, mesmo com as limitações acústicas do estádio, o som chegou bonito ali. Guitarra, voz, solos de teclados, tudo ok, pontual e sem frescura. Porque Clapton não é dado ao espetáculo como o contemporâneo Paul McCartney, ele só quer dar boa noite, dedicar o show ao Felipe Massa e tocar sua música. Como criticá-lo por isso?

Covers de Muddy Waters, Bo Diddley, Robert Johnson e, é claro, o hit “Cocaine” de J.J. Cale preencheram o tradicional repertório que incluiu a poderosa “Badge” do Cream e mais duas da fase Derek and the Dominos em arranjos modificados: “Nobody knows you when you’re down and out” e a mais aguardada da noite, “Layla”. Aqui cabe uma observação: o sujeito tem que ser muito desapegado pra ter uma música como “Layla” no repertório e não tocar a sua “full version”, com aquele solo final que é provavelmente a demonstração definitiva de que Deus existe. De novo, se fosse um espetáculo do Paul, ele jamais perderia essa oportunidade.

Assim, o momento mais radiofônico da noite veio mesmo com a balada “Wonderful Tonight”, que compartilha com “Layla” a sua musa inspiradora, Patti Boyd, aquela que Clapton disputava com George Harrison. “Cocaine” fechou a conta e o bis veio com a sensacional “Crossroads” de Robert Johnson, com a participação de Gary Clark Jr., responsável pelo competente show de abertura.

Aos 66 anos e ainda dono daquela técnica impecável – se eu tocasse guitarra, sério, sairia deprimido do show – Clapton espantou a garoa, trouxe paz e amor para 45 mil pessoas e fez sua guitarra gentilmente chorar. Tudo que se espera de uma divindade.

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