Capítulo 4 – A Síndrome de Elevation

A música deste capítulo traz a primeira contribuição dos irlandeses do U2 para a teoria:

“A mole digging in a hole, digging up my soul now going down, excavation. I and I in the sky, you make me feel like I could fly so high, elevation.”
Uma toupeira cavando num burado, cavando a minha alma, indo pra baixo, escavação. Eu no céu, você me faz sentir como se eu pudesse voar tão alto, elevação.
“Elevation” (U2) – do álbum “All that you can’t leave behind”

Freqüentemente, o creep só consegue se sentir feliz ao lado da pessoa amada. O resto de sua vida é um período de “escavação”, no qual ele se encontra no fundo do poço, infeliz. Os raros momentos de felicidade são fruto da companhia da pessoa pedestalizada, que o coloca em estado de “elevação”, elevando sua alma, fazendo-o voar.

Assim, a síndrome de elevation pode ser explicada na simples diferença entre “escavação/elevação”, “ausência/presença”, “tristeza/alegria”. Os momentos de elevação são momentos de êxtase, catarse, dos quais o creep irá se lembrar sempre. Um exemplo de elevation proporcionado por pedestal e que traz lembranças, na música do Guns N’Roses:

“Now and then when I see her face, she takes me away to that special place and If I stared too much, I’d probably break down and cry.”
Desde então quando vejo seu rosto, ela me leva de volta àquele lugar especial e seu eu olhasse demais, provavelmente não aguentaria e choraria.

“Sweet Child O’Mine” (Guns N’Roses) – do álbum “Appetite for Destruction”

É bom deixar bem claro que este efeito causado pela pessoa pedestalizada pode ter origem em gestos muito simples: um telefonema, um e-mail, uma carta, um recado, ou qualquer coisa que vá deixar o creep feliz, mesmo que por um momento efêmero. Depois que o efeito elevation passa, o creep volta ao seu estado de escavação natural. Tal qual alegria de pobre, elevation de creep dura pouco.

O creep não é um masoquista, obviamente ele prefere estar em elevação do que em escavação. Mas o Universo muitas vezes parece conspirar contra o creep e manter-se em elevação é uma tarefa complicada. Por isso, esse estado natural de tristeza do creep pode fazer com que ele se torne uma pessoa amarga, em determinados momentos. É fato que a solidão torna as pessoas amargas. Veja o que diz Thom Yorke, do Radiohead, nesta música:

“And when I’m like this… how can you be smiling and singing?”
E quando estou assim… como você pode estar sorrindo e cantando?

“How Can You Be Sure?” (Radiohead) – do single “Fake Plastic Trees”

Desta forma, o creep não se conforma com a felicidade alheia, principalmente com a felicidade da pessoa idolatrada. Ele pensa: como ela pode estar se divertindo e feliz, se ela é a principal responsável pela minha escavação?

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